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Dois Portugueses Ajudam Vítimas do Tsunami em Tamil Nadu

João Blasques, 27 anos, é formado em Engenharia do Ambiente pela Universidade Nova, e trabalha em Portugal no Centro de Yoga e Meditação de Sintra. Rui Guimarães, 33 anos, é formado em História e Ciências Sociais pela Universidade do Minho, e trabalha em Portugal como assessor de vereação na área de educação e juventude.

Ambos se encontravam na Índia quando se deu o Tsunami, numa viagem de aprofundamento espiritual organizada pelo movimento espiritual Ananda Marga (“Caminho da Bem-Aventurança”). Nos seus relatos expressavam grande tranquilidade e felicidade. Maravilhados com a realidade multicolor indiana, visitavam locais ligados às origens do yoga e centros de meditação, enquadrados num grupo internacional.

No dia 26 de Dezembro encontravam-se em Jamalpur, e não sentiram a intensidade do abalo. Dias depois, após se terem apercebido da escala do desastre, decidiram abandonar os companheiros de viagem e partir para a zona afectada. Entraram então em contacto com a Ananda Marga Universal Relief Team (AMURT, ramo da Anada Marga especializado em serviço social e apoio em calamidades, ver www.amurt.net), e assim que foi possível apanham um comboio para o sul, rumo a Nagapattinam (estado Tamil Nadu).

Em Nagapattinam juntam-se à equipa da AMURT, que desde 27 de Dezembro se encontrava no local a realizar a primeira fase dos trabalhos: localizar e cremar ou enterrar os corpos mortos. Juntaram-se então ao grupo de trabalho que estavam a fazer a limpeza das casas que não tinham sido totalmente destruídas e que podem ser recuperadas para habitação. João Blasques escreve:

“A vila onde estamos a trabalhar foi fortemente atingida, tendo imensas casas destruídas até à fundação e as restantes outras totalmente inundadas até um metro de altura com água e destroços. Quando a onda partiu deixou nas casas quantidades enormes de areia e destroços, tornando muito difícil viver nelas. Neste momento estamos basicamente a limpar as casas das pessoas mais idosas, que não têm a capacidade de limpar por elas e também daqueles que estão demasiado desmoralizados para o fazerem.”
Algo que lhes chama a atenção é a aparente calma das pessoas: “As pessoas em geral não parecem demasiado abaladas, embora eu sinta que há uma cicatriz profundamente escondida. Especialmente nas crianças.” diz João.

Rui Guimarães começou agora a trabalhar com as crianças traumatizadas e que perderam os seus familiares. Ao telefone, dia 8, relatou o trabalho que começou fazendo jogos e até uma aula de yoga com as crianças. Disse que neste momento o apoio psicológico é importantíssimo e está muito inspirado a trabalhar no sentido de revitalizar a auto estima das crianças naquele local, tendo já apresentado uma proposta de actividades ao responsável local, Dada Arthapremananda.

Disse ainda que as necessidades materiais como roupa estão já a ser asseguradas e que está a ser iniciada a construção de casas para as pessoas que viram a sua habitação totalmente destruída. A ajuda mais urgente é neste momento monetária, sendo o custo de cada casa cerca de 1400 euros.

João Blasques e Rui Guimarães enviam actualizações frequentemente.

A AMURT é uma organização de serviço social de âmbito mundial reconhecida pela ONU pelo trabalho realizado em diversas partes do globo, desde a sua fundação na Índia em 1965. Além de auxílio em calamidades desenvolve também projectos de desenvolvimento local e apoio à comunidade, incluindo projectos a longo prazo. Uma vez que as equipas são constituídas por voluntários, praticamente todos os fundos são utilizados directamente nos trabalhos realizados.

Em Portugal a AMURT realizou anteriormente algumas iniciativas de pequena dimensão e está neste momento totalmente envolvida numa campanha de recolha de fundos para ajudar os trabalhos de apoio às vítimas do tsunami. A AMURT agradece toda a ajuda possível, em donativos, ou na divulgação da campanha.
 

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