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Adopções de crianças do Haiti

LISBOA (29 Jan) – Muitas pessoas estão a oferecer-se para adoptar crianças haitianas – o que é um gesto natural e compreensível de compaixão por aqueles que sofrem. No entanto é muito importante estar ciente de que muitas "adopções" que possam ocorrer neste momento serão tráfico de crianças muito vulneráveis.

A política dos Direitos Humanos Internacionais é dar prioridade a encontrar os pais, ou outros familiares, que possam ter sido separados das suas crianças. É importante compreender que a adopção cria frequentemente mais um trauma para as crianças que já estão traumatizadas – desenraizando-as de tudo o que lhes é familiar e colocando-as, em desvantagem, num país novo a nível cultural, social e linguístico. Mesmo se os pais não forem encontrados, poderá ser possível encontrar a família alargada – o que se torna mais familiar e estabilizador do que começar de novo num ambiente completamente alheio. A prioridade, desde o ponto de vista dos direitos das crianças, deveria ser providenciar às crianças estabilidade, segurança e continuidade – e não causar mais traumas às suas vidas.

Após os acontecimentos devastadores no Haiti, um grande número de crianças foram separadas das suas famílias e cuidadores. A AMURT tem por si só quase 400 crianças em situações muito precárias. Estas crianças enfrentam riscos extremos a nível de segurança, saúde e protecção e muitas ficarão vulneráveis ao tráfico, exploração e uma segunda separação.

As crianças separadas dos seus pais e famílias devido a conflitos, deslocamento de populações ou desastres naturais são as mais vulneráveis. Separadas daqueles mais próximos delas, estas crianças perderam a protecção e os cuidados das suas famílias na turbulência quando mais precisavam delas. Elas estão sujeitas a abusos e exploração e mesmo em perigo de sobrevivência. As crianças podem ter de assumir responsabilidades de adultos como proteger e cuidar de irmãos mais novos. Crianças e adolescentes que perderam tudo aquilo que lhes é mais familiar – casa, família, amigos, estabilidade – são os símbolos do dramático impacto de toda a crise humanitária.

A falência de estruturas sociais e serviços aquando de calamidades quer dizer que as próprias comunidades e o Estado podem não estar em posição de providenciar a protecção necessária e os cuidados às crianças sem família. É neste sentido imperativo que organizações humanitárias assegurem que as crianças mais vulneráveis sejam protegidas. A amplitude e complexidade de situações em que as crianças acabam separadas das suas famílias e as diversas necessidades da próprias crianças, levam a concluir que não é esperável que uma só organização resolva o problema sozinha.

Mesmo durante uma emergência, todas as crianças têm o direito a uma família e as famílias têm o direito a cuidar pelas suas crianças. Crianças perdidas e não acompanhadas devem ser providenciadas com serviços que têm como objectivo reuni-las com os seus familiares o mais depressa possível. O objectivo deve ser sempre o de reunir as famílias e o de assegurar a protecção das crianças e o seu bem-estar.

A AMURT Portugal, respeitando e posicionando-se de acordo com os Direitos Humanos Internacionais, vai a partir de hoje expandir o projecto SOS – Adopção à Distância, para permitir que um novo tipo de ajuda muito preciosa chegue a estas crianças.

O projecto "SOS – Adopção à distância" consiste em incentivar pessoas a patrocinarem à distância uma criança órfã ou uma criança numa família com dificuldades e desta forma assegurar uma parte das suas necessidades básicas e de educação. Em troca, os pais recebem informações e histórias para que nunca se esqueçam do impacto que as suas contribuições têm na vida da crianças.

Se está interessado em participar com este tipo de apoio, poderá fazê-lo através da nossa página Adopção à Distância.


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